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A alegria do recomeço: Prefeitura entrega chaves para 29 novos moradores do Residencial Beira Rio III por meio do João Pessoa Sustentável

“Meu coração está alegre demais”. A frase de Tobias Felix Pereira traduz a emoção de quem começa uma nova etapa da vida. Criado na comunidade Padre Hildon Bandeira, onde construiu suas referências e relações, ele deixa o lugar onde viveu praticamente toda a sua história para ocupar um apartamento no Residencial Beira Rio III, na Avenida Beira Rio.

O sentimento é compartilhado por Rosecleide de Jesus, uma das 29 famílias se mudaram para o habitacional que conta com mais de 300 unidades habitacionais. Depois de aproximadamente dez anos esperando por uma oportunidade de sair de uma área de risco, ela já faz planos para o primeiro Natal na casa nova: “vou passar o Natal na minha própria casa, receber minha família, minha mãe, meu pai. A qualidade de vida vai ser outra”, comemora.

As histórias de Tobias e Rosecleide ganharam um novo capítulo nesta quinta-feira (5), quando o prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra, realizou a entrega oficial da primeira etapa do Residencial Beira Rio. A solenidade marcou a entrega das primeiras moradias às famílias do Complexo Beira Rio que vivem em áreas de risco e estão sendo reassentadas para os apartamentos construídos na Avenida Beira Rio.

Nesta primeira etapa, 97 famílias serão contempladas. Desse total, 29 já realizaram a mudança para o bloco I. Outras 68 famílias ocuparão os blocos L, M e K em operações programadas para os dias 11, 18 e 25 de novembro, sempre às quartas-feiras.

“Essas famílias vão passar o Natal em casa em um novo lar”, afirmou o prefeito durante a solenidade. Léo Bezerra disse mais: “política passa e eu vou passar, mas ninguém mais toma a casa de vocês”.

Uma mudança que vai além do endereço – A transferência das famílias integra o processo de reassentamento desenvolvido pelo Programa João Pessoa Sustentável, executado pela Prefeitura de João Pessoa, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O trabalho envolve estudos técnicos, acompanhamento social e diálogo com os moradores das oito comunidades que compõem o Complexo Beira Rio: Padre Hildon Bandeira, São Rafael, Santa Clara, Tito Silva, Miramar, Vila Tambauzinho, Brasília de Palha e Cafofo Liberdade.

De acordo com o coordenador-geral da Unidade Executora do Programa João Pessoa Sustentável, Benjamim Maranhão, o processo de reassentamento foi conduzido considerando também estudos hidrológicos sobre as inundações do Rio Jaguaribe. Houve ainda um cadastramento amplo de todas as famílias das oito comunidades: “tratava-se de pessoas que viviam em locais insalubres e com perigo de sobrevivência, que agora recebem uma moradia digna muito próximo da sua zona original. A Prefeitura de João Pessoa teve o cuidado de respeitar a questão territorial das comunidades que habitam há dezenas de anos. Todo o diálogo com a comunidade obedeceu ao cadastro inicial, sendo um programa acompanhado não só pela Prefeitura, mas também pelo BID, devido ao financiamento internacional, e pelo Tribunal de Contas”, explicou.

Um dos diferenciais da intervenção é justamente a construção dos residenciais no próprio território, permitindo que as famílias permaneçam próximas de suas referências familiares, comunitárias e econômicas, além dos serviços públicos que fazem parte de suas rotinas.

A mudança – A operação realizada na quarta-feira (4) para reassentar as famílias mobilizou mais de 100 profissionais e seis caminhões, além de veículos de menor porte. Os moradores receberam apoio para transportar móveis, eletrodomésticos e objetos pessoais, assim como transporte até os novos apartamentos. Também foram assegurados almoço e jantar durante todo o dia da mudança. A ação foi planejada pela Unidade Executora do Programa João Pessoa Sustentável (UEP), por meio da Coordenação Social, com apoio das coordenações Geral, Executiva e temáticas. Diferentes secretarias municipais participaram da operação, oferecendo suporte logístico, social e operacional.

Para Tobias Felix Pereira, vendedor do comércio varejista, deixar a comunidade onde cresceu não é uma decisão simples. A história de vida construída ali faz com que a despedida tenha um significado especial. Ainda assim, a perspectiva de uma nova moradia fala mais alto : “me criei aqui nessa comunidade. Minha vida foi toda aqui. Então, tenho um apego muito grande. Agora, sim, saio triste, mas saio feliz também, porque é uma mudança de vida”, contou.

Rosecleide também tem lembranças difíceis do lugar que deixou: “quando chovia, a gente tinha que sair, deixar tudo em cima das coisas e dormir lá na casa da minha irmã. Já perdi móveis”, recorda. Agora, a expectativa é outra. O apartamento com dois quartos representa a oportunidade de oferecer melhores condições de vida também ao filho. “Eu sonho o melhor para mim e para o meu filho”, afirmou.

Outra moradora que celebrou a conquista foi Cibele da Rocha Marcolino. Com as chaves do apartamento nas mãos, ela lembrou das dificuldades enfrentadas na antiga residência, que ficava alagada nos períodos de chuva: “minha casa ficava tomada pela água quando chovia. Era muito desespero, só incertezas na vida. Mas hoje eu posso dizer que estou vivendo um recomeço, com mais dignidade, conforto e segurança”, comemorou.

Moradia, convivência e oportunidades no mesmo território – A proposta do Residencial Beira Rio vai além da construção de unidades habitacionais. O empreendimento também reúne equipamentos sociais destinados a ampliar o acesso dos moradores a serviços públicos, formação e oportunidades de geração de renda.

Além da entrega oficial das moradias, o prefeito inaugurou o Centro de Referência da Juventude (CRJ) e o Polo de Costura, equipamentos instalados no residencial para ampliar o acesso dos moradores a serviços públicos, atividades de convivência e oportunidades de qualificação profissional. A estrutura permitirá aproximar diferentes políticas públicas da população do Complexo Beira Rio, com participação de secretarias municipais e atendimento às demandas sociais do território. Já o Polo de Costura foi equipado com máquinas para oferecer capacitação e estimular a inserção dos moradores no mercado de trabalho. A proposta é atender tanto a população do Complexo Beira Rio quanto participantes de outras ações do Programa João Pessoa Sustentável.

A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Norma Gouveia, destacou que o espaço também contará com atividades de letramento digital, preparando os participantes para utilizar ferramentas de informática e ampliar as possibilidades de comercialização de produtos. “Ele é um polo moderno, grande, que vai atender os moradores, com todas as máquinas já instaladas. A gente tem, além dessa capacitação de costura, um letramento digital. O início de uma capacitação para que a comunidade comece a ter acesso à informática e comece a se inserir de forma mais técnica na venda dos produtos, na comercialização e tudo mais”, explicou.

Os habitacionais – O Residencial Beira Rio integra um conjunto de três empreendimentos habitacionais construídos na Avenida Beira Rio. O projeto faz parte da intervenção do Programa João Pessoa Sustentável, que prevê beneficiar 776 famílias das oito comunidades do Complexo Beira Rio. Somente o Terreno III reúne 336 apartamentos, 18 unidades comerciais, duas salas de reunião e o Centro de Referência da Juventude. Os outros dois empreendimentos também contam com unidades comerciais e espaços destinados à convivência e ao atendimento comunitário. O processo de reassentamento continuará nas etapas seguintes, de acordo com o cronograma de sorteios, vistorias e liberação das unidades habitacionais.

Pós-desocupação – Os antigos imóveis passam pelos procedimentos de descaracterização e demolição, evitando novas ocupações nas áreas de risco e permitindo o avanço das intervenções de reurbanização previstas para o Complexo Beira Rio. O acompanhamento social também continuará depois da chegada aos apartamentos, com orientações e identificação de eventuais necessidades relacionadas à adaptação das famílias à nova moradia.

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