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Marco histórico: primeiras famílias do Complexo Beira Rio começam mudança para os residenciais

Reassentamento começa em 4 de novembro com 29 famílias da comunidade Padre Hildon Bandeira, que deixarão a área de risco para ocupar apartamentos do Residencial Beira Rio III

A Prefeitura de João Pessoa inicia, na próxima quarta-feira (4), uma etapa histórica do Programa João Pessoa Sustentável: a mudança das primeiras famílias do Complexo Beira Rio para os residenciais construídos na Avenida Beira Rio. Nesta primeira etapa, 29 famílias da comunidade Padre Hildon Bandeira deixarão imóveis localizados em área de risco para ocupar apartamentos do bloco I do Residencial Beira Rio III.

O reassentamento abre a fase de ocupação dos conjuntos habitacionais destinados às oito comunidades do Complexo Beira Rio. Depois de anos de espera, os primeiros moradores passarão a viver em apartamentos com infraestrutura e segurança, sem romper os vínculos construídos no território. Como o residencial fica próximo à comunidade de origem, as famílias poderão manter relações de vizinhança e o acesso aos serviços que integram sua rotina.

O momento representa a concretização de um dos eixos centrais do Programa João Pessoa Sustentável: retirar famílias de áreas de risco e assegurar o direito à moradia no próprio território. Para o coordenador-geral do Programa João Pessoa Sustentável, Benjamin Maranhão, “é uma sensação boa, principalmente porque sabemos que não é um compromisso apenas com 29 famílias, mas com as 336 do Terreno III. Vamos começar por um bloco e dar sequência semanal às entregas até a conclusão”, garantiu.

“A gente percebe nas famílias essa expectativa de ter garantido o direito à moradia. Para nós, é uma satisfação acompanhar e fazer parte de toda essa mudança, que será um marco histórico para João Pessoa”, afirmou a coordenadora social Suzionara Soares.

As primeiras famílias ocuparão apartamentos do setor Leste do Terreno III. A maior parte dos moradores desta etapa sairá do setor C da comunidade Padre Hildon Bandeira. A operação começará às 7h, com concentração das equipes na lavanderia da comunidade.

Três caminhões e veículos de menor porte transportarão as famílias e seus pertences. Cerca de 100 profissionais participarão da ação, desde a retirada dos bens até a recepção dos moradores no residencial.

Operação mobiliza equipes municipais

A mudança foi planejada pela Unidade Executora do Programa João Pessoa Sustentável, por meio da Coordenação Social, com apoio das coordenações Geral, Executiva e temáticas. A operação também mobilizará secretarias municipais responsáveis pelo transporte, apoio social, infraestrutura, educação, limpeza urbana e atendimento às famílias.

Uma reunião realizada nesta terça-feira (27) definiu os últimos detalhes da ação. O encontro reuniu representantes do Programa e das áreas de desenvolvimento social, direitos humanos e cidadania, infraestrutura, educação e limpeza urbana. As equipes definiram atribuições e ajustaram a quantidade de veículos, o pessoal necessário, a alimentação e os pontos de apoio. O planejamento também contempla a recepção das famílias nos apartamentos e o acompanhamento após a ocupação.

Segundo Suzionara, a articulação entre as secretarias assegurará suporte durante todo o percurso, da comunidade ao novo endereço. “A Prefeitura reuniu as secretarias parceiras para oferecer estrutura, equipes, transporte e acompanhamento durante todo o trajeto. Também teremos profissionais no habitacional para o trabalho de pós-ocupação e para aproximar os serviços municipais dos moradores”, explicou.

A primeira mudança permitirá que a equipe avalie o fluxo da operação antes das etapas seguintes. “Vamos analisar toda a estrutura dessa primeira transferência. Nas semanas seguintes, pretendemos fazer a mudança das famílias destinadas aos outros três blocos que já estão aptos”, acrescentou a coordenadora social.

Mudanças seguem durante novembro

O cronograma prevê novas mudanças nas quartas-feiras seguintes, nos dias 11, 18 e 25 de novembro. Ao todo, outras 68 famílias ocuparão os blocos L, M e K, já sorteados, vistoriados e liberados. Com as 29 famílias do bloco I, esta primeira fase deverá reassentar 97 núcleos familiares.

Após a ocupação dos quatro blocos, o Programa avançará para novos sorteios. As próximas unidades serão destinadas às famílias selecionadas para os blocos G, H, J e N, nos setores Leste e Oeste do Terreno III.

O reassentamento seguirá etapas definidas pela equipe social. O processo considera o mapeamento dos setores da comunidade, a composição das famílias e as necessidades específicas dos moradores.

Assim que cada família deixar a antiga residência, o imóvel será descaracterizado e demolido. A medida impedirá novas ocupações irregulares e permitirá o avanço das intervenções previstas para as áreas de risco do Complexo Beira Rio.

Benjamin Maranhão destacou que a mudança também abrirá espaço para a reurbanização das comunidades atendidas: “é um programa completo, porque trata da realocação das famílias e da reurbanização. Essas entregas permitirão o avanço das intervenções na Padre Hildon Bandeira e nas demais comunidades do Complexo Beira Rio. É um marco na política habitacional de João Pessoa pela complexidade do programa”, declarou.

Complexo habitacional soma 747 apartamentos

Os três empreendimentos construídos na Avenida Beira Rio somam 747 apartamentos destinados às famílias das comunidades Padre Hildon Bandeira, São Rafael, Santa Clara, Tito Silva, Miramar, Vila Tambauzinho, Brasília de Palha e Cafofo/Liberdade.

Além da segurança habitacional, o projeto busca manter os moradores próximos aos locais onde construíram suas relações familiares, sociais e econômicas. O modelo evita o deslocamento para regiões distantes e preserva o vínculo das famílias com o território.

O Terreno III, onde ocorrerá a primeira mudança, reúne 336 apartamentos, 18 unidades comerciais, duas salas de reunião e o Centro de Referência da Juventude (CRJ). O Terreno I possui 106 apartamentos, três unidades comerciais e um salão de reunião. O Terreno II conta com 305 apartamentos, 21 unidades comerciais e duas salas de reunião.

“Os residenciais integram um conjunto de intervenções que inclui reassentamento, infraestrutura urbana, acompanhamento social e instalação de equipamentos públicos. A estratégia associa a entrega das moradias ao acesso a serviços de assistência, educação, qualificação e convivência comunitária”, frisou o coordenador geral do Programa João Pessoa Sustentável, Benjamin Maranhão.

Entrega oficial terá abertura do CRJ

A entrega oficial dos apartamentos está prevista para quinta-feira (5), com a presença do prefeito Leo Bezerra. Na mesma ocasião, a Prefeitura entregará o Centro de Referência da Juventude, instalado no Residencial Beira Rio III.

O CRJ reunirá atendimentos socioassistenciais, cursos e serviços municipais. Os plantões da equipe social do Programa João Pessoa Sustentável passarão a funcionar no local. O equipamento também receberá ações das secretarias de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos e Cidadania e Ciência e Tecnologia.

Késsia Liliana, secretária de Direitos Humanos e Cidadania do município, destacou que o reassentamento não se limita à entrega de uma unidade habitacional : “estamos tratando da dignidade da pessoa humana. Não é apenas a moradia, mas também o acesso da família à escola, à saúde, ao lazer e à sociedade. A Secretaria tem o papel de olhar o cidadão como um todo e contribuir para que ele esteja bem ambientado”, afirmou.

A secretaria manterá plantão social no território até a instalação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), prevista para uma etapa posterior. A proposta é aproximar dos moradores serviços como Cadastro Único, Bolsa Família e cursos de aperfeiçoamento.

A Secretaria de Desenvolvimento Social também participará do atendimento no novo equipamento. A pasta atuará na identificação das demandas e no encaminhamento das famílias à rede de proteção social: “o papel da SEDES será disponibilizar para essas famílias os serviços da Prefeitura. As equipes sociais estarão no local para o atendimento inicial e para acompanhar as demandas que surgirem na comunidade”, explicou a secrária Norma Gouveia.

Cursos e atendimentos começam em novembro

A previsão é que os serviços no CRJ comecem no dia 9 de novembro. Antes da abertura das turmas, haverá duas semanas de inscrições e formação de cadastro de reserva. O início dos cursos está previsto para o dia 16.

Entre as primeiras atividades planejadas estão cursos de corte e costura, letramento digital e formação técnica para recuperação de celulares. A estimativa inicial é formar turmas com pelo menos 15 participantes, sujeita à confirmação após as inscrições.

Uma oficina de costura do polo mantido pela Prefeitura estará entre as ações iniciais. Outros cursos e atendimentos serão definidos a partir do levantamento das demandas dos moradores. “Vamos iniciar com o curso de costura. Outros serviços serão instalados no local e, a partir das demandas da comunidade, ampliaremos o atendimento”, informou a secretária de Desenvolvimento Social.

A equipe social integrada terá como público prioritário as famílias do Complexo Beira Rio, sem restringir o atendimento aos moradores dos apartamentos. O objetivo é consolidar o CRJ como ponto de referência para o acesso às políticas municipais no território.

Para Suzionara, a mudança traduz o resultado de um trabalho que reuniu planejamento técnico, acompanhamento social e participação das famílias. “O sentimento desta assistente social é de alegria e também de desafio, porque este é um trabalho complexo. Temos a satisfação de contar com equipes dedicadas e de promover a garantia do direito à habitação para famílias que precisam. Essas famílias poderão comemorar o Natal e o Ano Novo na nova moradia, com dignidade e com o apoio da Prefeitura”, concluiu.