A partir de 26 de setembro, o público poderá conferir obras que transitam entre a pintura
moderna, a arte Naïf, memórias do isolamento e o patrimônio arquitetônico de João
Pessoa. Com curadoria de Rodrigues Lima, a mostra foca na força da arte como espaço
de humanização e transformação social.
A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, abre ao público, no dia 26 de
setembro de 2026, às 16h, a exposição coletiva “Três Mastros”. Sob a curadoria do
professor e curador Rodrigues Lima, a mostra estabelece um diálogo entre três artistas
radicados na Paraíba: Raphael Vidal, Rodrigo Ferreira e Toni Farias.
O título da exposição utiliza a metáfora da navegação para traduzir a pluralidade das
linguagens: cada artista atua como um mastro que sustenta uma vela própria, traçando
rotas poéticas e estéticas particulares sob um mesmo horizonte de sensibilidade e
liberdade criativa.
Fundamentada nas reflexões da arte-educadora Ana Mae Barbosa de que a arte
permite “representar o mundo não apenas como ele é, mas como poderia ser”, a
exposição propõe um espaço de reflexão frente ao distanciamento social e às dinâmicas
virtuais da atualidade.
Os Artistas
Raphael Vidal: Geometria, Memória e o Silêncio do Isolamento
Natural de São Paulo e residente em João Pessoa desde 2000, Raphael Vidal estreia
em sua primeira exposição individual/coletiva trazendo a bagagem de sua atuação na
cena do rock Punk/Hardcore dos anos 1990. Utilizando giz pastel seco sobre papel
Canson, Vidal dialoga com o Cubismo e com referências da Arte Moderna — como
Pablo Picasso, Georges Braque e Van Gogh. Suas obras constroem rostos e cenários
fragmentados que traduzem tensões, máscaras e as marcas do isolamento social
deixadas pela pandemia de COVID-19, transformando o silêncio e o confinamento em
expressividade cromática.
Rodrigo Ferreira: Estética Naïf e a Resistência Poética pela Paz
Licenciado em História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), o pessoense
Rodrigo Ferreira alia o olhar humanizado do historiador à linguagem da arte Naïf.
Influenciado pela estética urbana de Jean-Michel Basquiat, Ferreira utiliza cores vivas e
composições em tinta acrílica sobre tela para erguer uma narrativa de resistência contra
os discursos de ódio e a violência contemporânea. Inspirado por líderes globais e da
cultura da paz, como Nelson Mandela, Martin Luther King e Zumbi dos Palmares, o
artista aborda temas como justiça social, superação do apartheid, igualdade e respeito
às diferenças.
Toni Farias: O Afeto e o Olhar Encantado sobre a Capital Paraibana
Completando a tríade, o artista visual Naïf, Toni Farias apresenta um conjunto de
desenhos desenvolvidos em hidrocor e lápis de cor sobre Canson. Nascido em João
Pessoa, o artista constrói um percurso centrado na memória e no sentimento de
pertencimento à sua terra natal. As obras convidam o visitante a passear pelo
patrimônio histórico, arquitetônico e natural da capital — retratando locais icônicos como
o Centro Cultural São Francisco, o Theatro Santa Roza, o Parque Zoobotânico Arruda
Câmara (Bica), a Orla e a própria arquitetura do Centro de Convenções. Em suas telas,
a cidade das acácias deixa de ser apenas cenário e se torna matéria poética e afeto.
ASCOM-Estação Cabo Branco