Entre sílabas e sonhos: nas escolas municipais de João Pessoa projetos despertam o amor das crianças pelos livros

Em cada sala de aula, entre cadernos, livros e vozes infantis ainda aprendendo a juntar letras, acontece algo poderoso: o nascimento de um leitor. É nesse momento cheio de descobertas, que começa uma das transformações mais profundas na vida de uma criança e ler faz parte desse processo de formação do cidadão. Quem atua na área da educação de João Pessoa sabe disso e faz a roda da leitura girar com entusiasmo nas escolas. Não à toa o Ministério da Educação (MEC) premiou recentemente a Rede Municipal de Ensino com o Selo Ouro de Compromisso com a Alfabetização, premiação recebida pelo segundo ano consecutivo, concedida às redes de ensino que realizaram ações para elevação dos índices de alfabetização. A secretária de Educação e Cultura de João Pessoa (Sedec), América Castro, ressalta que o Selo é um reconhecimento muito importante do trabalho que vem sendo desenvolvido em toda a rede. “Superar a meta do Indicador de Criança Alfabetiza demonstra que estamos no caminho certo e que nossas crianças estão aprendendo mais e melhor. Programas como o Letrar+ JP têm um papel fundamental nesse resultado, porque fortalecem o trabalho pedagógico em sala de aula, apoiam os professores e garantem que cada estudante tenha as oportunidades necessárias para se alfabetizar na idade certa”, celebra. Letrar+ – A professora América citou o nome de um programa muito importante para esse resultado: o Letrar+. É exatamente sobre ele que vamos falar a partir de agora. O Letrar+ é uma iniciativa da Prefeitura, que tem como missão fortalecer a alfabetização e garantir que cada criança tenha a oportunidade de aprender a ler no tempo certo. Mais do que um método pedagógico, o programa é um compromisso com o futuro. E sabe quem conhece o programa e fala dele com uma alegria contagiante? A chefe da Divisão de Alfabetização, Letramento e Anos Iniciais da Sedec-JP, a professora-doutora Jocineide Silva. “Desde o berçário, do maternal, do Infantil I que as crianças já têm esse contato com a leitura, com as professoras contando história. E nos anos mais avançados, as crianças lendo e escolhendo, sendo também as protagonistas dessa escolha da sua história. Mesmo antes de saber ler palavras, elas aprendem a escolher livros pelas imagens, pelas capas, pelas cores. Escutam histórias, recontam narrativas e começam a construir sua própria relação com os livros”, argumenta. Jocineide explica que logo no primeiro ano do ensino fundamental, quando as crianças têm cerca de seis anos, começa uma jornada que vai muito além das letras. A meta é que, ao final de cada etapa escolar, os alunos avancem em sua capacidade de leitura — passando de leitores de frases para leitores de textos cada vez mais fluentes. Anos finais – A proposta se estende também para os alunos dos anos finais do ensino fundamental. O Letrar + Anos Finais João Pessoa compreende um conjunto de ações que garantam a aprendizagem, recomposição e a recuperação de aprendizagens do ensino fundamental desenvolvidas pela Sedec, por meio da Divisão de Anos Finais que atende atualmente 24.054 estudantes do 6º ao 9º ano. A partir desse conceito, professores recebem formações específicas, planejadas de acordo com as necessidades identificadas em sala de aula. A ideia é simples, mas poderosa: fortalecer quem ensina para fortalecer quem aprende. “Desde o ano de 2024, a Sedec estabeleceu parceria com a Universidade Federal da Paraíba com o objetivo de desenvolver experiências formativas que capacitem docentes dos anos finais do ensino fundamental para a promoção de decisões didáticas articuladas à proposta curricular do município de João Pessoa, com foco na garantia dos direitos de aprendizagem correspondentes a cada ano da formação escolar”, explicou Maria José Cândido Barbosa, chefe de Divisão de Anos Finais. Cantinho da Leitura – Todo esse processo envolve três pilares principais: avaliação, formação e acompanhamento pedagógico. Mas a aprendizagem não acontece apenas através de avaliações e planejamentos. Ela também nasce no encantamento. “Em muitas salas de aula, um pequeno espaço tem desempenhado um papel especial nesse processo: o cantinho da leitura. Ali, entre livros coloridos, histórias e personagens, as crianças começam a desenvolver algo essencial, o gosto pela leitura”, ressaltou a professora-doutora Jocineide Silva. Inclusão da família – E esse não é o único fator que incentiva. A aproximação da família impulsiona o gosto pelas histórias contadas em cada página. A participação dos familiares também é incentivada. Em algumas escolas, projetos convidam pais e mães para ler histórias para os alunos. “O momento, além de educativo, se torna profundamente emocionante. Imaginar um pai ou uma mãe diante da turma, lendo para o próprio filho e para os colegas. Cria memórias afetivas que podem marcar a infância para sempre”, incentiva Jocineide Silva. Leitura na formação do cidadão – Chegamos a Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Carlos Neves, no bairro José Américo, onde o empenho para que esses resultados sejam alcançados é só um dos diversos exemplos da persistência dos educadores de toda a rede de educação. A diretora pedagógica da unidade, Patrícia Menezes de Luna Freire, nos recebeu e fez questão de ressaltar a importância desse movimento de leitura nas escolas para a formação do bom cidadão. “Eles colocam na fala aquilo que eles estão compreendendo. Então, desde cedo que a gente trabalha essa questão da leitura para esse desenvolvimento pleno da criança. A gente entende que a leitura leva você a altos vôos. Quando estiverem lá adolescentes, adultos, na fase de ir para uma universidade, de emprego, se ele não lê, não compreende. Se ele não tem esse hábito, possivelmente ficará para trás. Quando você lê e compreende aquilo que lê, consegue se desenvolver em vários aspectos da vida”, garantiu. Os professores assumem um papel fundamental nesse momento: o de exemplo. Ler em voz alta todos os dias, apresentar histórias e demonstrar amor pelos livros são atitudes que despertam nas crianças o desejo de também se tornarem leitoras. Patrícia Kelly de Menezes é uma dessas “tutoras da leitura”. E ela assegura, não é tão fácil assim conquistar os pequenos amantes dos livros, mas com esforço a mudança acontece. “É desafiador. Eu,
Rede Municipal de João Pessoa apresenta crescimento de 40 pontos percentuais na fluência em leitura dos alunos do 2º ano

A Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa (Sedec-JP) inicia 2026 celebrando o crescimento no percentual de alfabetização das crianças da Rede Municipal de Ensino. O índice de alunos fluentes em leitura registrou um crescimento de 40 pontos percentuais em 2025, segundo dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica da Paraíba (Siave)/Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd). De acordo com os números divulgados, o ano foi encerrado com 68% dos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental I nos níveis desejáveis de leitura. O percentual de entrada, no mês de março, era de 28%. Se comparado os dados de entrada e saída, o crescimento foi de 40 pontos percentuais, superando a saída de 2024, de 65%. As 80 escolas da Rede que ofertavam turmas de 2º ano em 2025 participaram da avaliação de fluência. Desse total, 39 atingiram desempenho acima de 70% de leitores nos níveis desejáveis. “Esse resultado mostra que estamos no caminho certo. É fruto do trabalho diário dos professores do 2º ano, do apoio dos gestores, especialistas e do empenho das equipes de acompanhamento da Diretoria de Ensino, Gestão e Escola de Formação. João Pessoa avançou porque existe compromisso com a alfabetização e com a aprendizagem das nossas crianças. É um esforço coletivo, que merece ser reconhecido”, ressaltou a secretária de Educação e Cultura, América Castro. Avaliação – O resultado da avaliação foi divulgado no último dia 16 de janeiro pelo Programa Alfabetiza Mais Paraíba. A avaliação de fluência do Siave é aplicada desde 2023 em toda a rede estadual e nas redes municipais de ensino da Paraíba. O processo avaliativo envolve todos os estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental I, com aferição da leitura individual, permitindo acompanhar o desenvolvimento da alfabetização. A chefe da Divisão de Alfabetização, Letramento e Anos Iniciais da Sedec-JP, a professora doutora Jocineide Silva, parabenizou professores e professoras pelo empenho e trabalho focado, sempre acreditando no potencial dos estudantes. “Esse resultado é fruto de um trabalho coletivo, construído a partir da parceria entre a Secretaria Municipal de Educação e as escolas, com empenho de gestores, professores e equipes pedagógicas”, frisou. Texto: Alexandre QuintansEdição: Cristina CavalcanteFotografia: Robério Gadelha/arquivo
Secretaria de Educação realiza formação com professoras da Educação Infantil sobre leitura e escrita

Professores de pré-escola da rede municipal de ensino da Capital participaram, na tarde desta segunda-feira (20), no Espaço Gospel Sul, bairro dos Bancários, da apresentação do programa ‘Compromisso Nacional Criança Alfabetizada’, do Ministério da Educação (MEC). O tema da formação foi ‘Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI)’. O evento contou com a presença da secretária de Educação e Cultura de João Pessoa (Sedec-JP), América Castro. “Todos os programas que trazemos para a rede nós escutamos os professores. A gente tem caminhado nesses mais de três anos em busca dessa melhoria, desse crescimento na aprendizagem dos nossos alunos. Minha gratidão a cada uma por nos ajudar a proporcionar um futuro melhor para nossa criançada”, agradeceu. O programa é destinado para crianças matriculadas do pré-escolar ao 2° ano do Ensino Fundamental em escolas públicas, assegurando que 100% delas estejam alfabetizadas ao final do 2º ano e promovendo a recuperação do aprendizado de alunos dos 3º, 4º e 5º anos impactados pela pandemia. As professoras participaram ainda da mesa redonda: Docência na educação infantil, contextos e práticas. “O programa Criança Alfabetizada tem por objetivo ofertar formação continuada a profissionais da Educação Infantil com foco na oralidade, leitura e escrita, de maneira a apoiar teórica e metodologicamente docentes para que desenvolvam práticas educativas capazes de ampliar as experiências das crianças com a linguagem escrita, respeitando as especificidades da primeira infância e as noções de leitura e de escrita como práticas sociais que integram o cotidiano e sustentam interações e brincadeiras neste ciclo de vida”, explicou a diretora do Departamento de Educação Infantil (DEI), a professora doutora Sonaly Lima. O evento também contou a presença de Maria do Amparo Santos, formadora regional do LEEI. “A gente sabe que o município de João Pessoa já é destaque na qualidade da educação infantil. Então, o LEEI vem para colaborar ainda mais, porque é o momento de formação de professores, vem para dar esse reforço, de dizer o quanto é importante professores estarem formados nessa área”, disse. O LEEI será o material didático do MEC usado no processo formativo com os professores da Educação Infantil. “A gente recebeu uma formação, uma oportunidade de refletir sobre essa prática de leitura e escrita na educação infantil. Não é nosso papel, não é o papel da educação infantil alfabetizar, e sim, inserir essa criança na cultura de forma lúdica, respeitando as especificidades de cada criança, partindo das experiências da cultura e ampliando esse universo da linguagem que já pertença a criança. Contar uma história e solicitar que elas reproduzam pode ser uma vivência, pode ser um dos modelos de inserir essa criança na linguagem”, falou a professora do Centro Municipal de Educação Infantil Ubirajara Pinto, Deizimar Alexandre.